sexta-feira, 12 de julho de 2013

Trabalho de Campo de Geomorfologia I : São Paulo - Pardinho

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo


Relatório do trabalho de campo de Geomorfologia I- São Paulo-Pardinho







Aluno.:Guilherme Henrique de Paula Cardim   
Período: Diurno    Prof.:Jurandyr L. S. Ross








Introdução
Nesse trabalho seguimos o caminho da Rodovia Castelo Branco, entre a Capital de São Paulo e Pardinho, atravessando as divisões classificadas pelo próprio professor Jurandyr Ross como Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste (parte I), Depreção Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná (parte II) e Bacia Sedimentar do Paraná (parte III).
Assim, vimos às diferentes características que aprendemos em sala de aula da morfologia desses três terrenos, o primeiro sendo cristalino, com base de formação granítica e metamórfica e mais alto que o segundo, o segundo já com arenitos e rochas ígneas extrusivas e o terceiro mais alto que o segundo, fruto da atividade epirogenética.
Primeiramente gostaria que analisássemos alguns mapas:
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Mapa 1- Morfoestruturas da América do Sul
Mapa 2- Unidades de Relevo proposta e classificada pelo Professor Jurandyr L. S. Ross
Mapa 3- Relevo no Estado de São Paulo
Mapa 4- Mapa da Rodovia Castelo Branco
Aqui sintetizamos o pensamento dos mapas já vistos, com a seguinte analise do trecho percorrido durante a viagem:
Observando o mapa 4 e 3, podemos concluir que a Rodovia Castelo Branco, ao percorrer para o Oeste Paulista, passa pelo Planalto Atlântico, depressão Periférica e Planalto Ocidental. Analisando o mapa 3 e 1, podemos nos certificar que a proposta de divisão do relevo para o nosso Professor, foi bem baseada na visão das Estruturas e trabalhada conjunto a isso, os planaltos, depressões e planícies. Tais fundamentos para o trabalho taxonômico realizado pelo Professor Jurandyr, foram extremamente provados nessa experiência em campo.
Também analisamos nesse trabalho, o objeto de estudo, a forma e o conteúdo da superfície terrestre, nos baseando desde em princípios gerais defendidos por W. Penck, em trabalhos empíricos e também generalistas de Davis, entramos nas sistemáticas de autores como L. King e Aziz Ab´Saber.
Logo, tomaremos emprestado a classificação do nosso Professor Jurandyr para melhor explicar a introdução desse retório:
 Os Planaltos e Serras do Atlântico Leste e Sudeste é uma unidade de relevo que representa o Cinturão Orogenético do Atlântico, ou seja, é uma área de dobramentos antigos, do pré-cambriano, portanto, antigo o bastante para ter sido fortemente erodido e após tais eventos de meteorização sofreu no pós-cretáceo o soerguimento.
Nessa parte, denominada agora de Planalto Atlantico, temos o relevo baseado por rochas ígneas (principalmente intrusivas) e metamórficas. Assim, os mais baixos por filitos e micaxistos, médios gnaises e migmatitos e os mais altos por quartzitos e granito.
As superfícies de erosão desse local se classificam segundo De Martone como as de Campos e Cristas médias (corresponde a Superfície de Cimeira para Ab´Saber), ou seja, estão relacionadas, respectivamente, com o  ciclos do cretáceo e terciário inferior.
A Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná que segundo Azis Ab´Saber é uma depressão subseqüente, foi esculpida na Bacia Sedimentar do Paraná, em sedimentos do paleozóico.
 Apresenta modelados diversos em função da influência da tectônica, variação litológica e dos graus de atuação dos processos erosivos dos mais variados ambientes climáticos. Esse local sofreu influência da reativação do Wealdeviano a partir do cretáceo, além do já citado soerguimento do terciário.
Subindo o Front das Cuestas de Botucatu, sustentada por rochas máficas, encontramos os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná, nesse caso a porção denominada Planalto Ocidental Paulista, que se situa em uma Bacia Sedimentar soerguida no pós-cretáceo.
Englobam terrenos sedimentares desde o Denovianiano até o Cretáceo, como também sofreu efusão magmática no Mesozóico, tendo uma camada de rochas basálticas máficas e um solo avermelhado, famoso solo de “terra roxa”. A superfície de erosão na classificação de De Martone é a Pré-Permiana.
Ficam agradecimentos pelo aprendizado, ao professo Jurandyr Luciano Sanches Ross e aos seus monitores.

Parte-I
Essa primeira parte do trabalho se refere à porção do Planalto e Serras do Atlântico Leste e Sudeste. Porção com altitude de 800m em média,  com terreno cristalino e forma de morros.
Parada – 1
         Nessa parada, próxima a Araçariguama, nas margens da Rodovia Castelo Branco, ainda no que a classificação de Jurandyr Ross concerne a Planaltos e Serras do Atlântico Leste Sudeste , inicialmente visualizamos os campos de matacões, formados por rochas expostas esféricas de granito, tendo serras formadas por granitos como a Serra do Itaqui.
Foto 1- Matacão                                                           Foto 2-A Serra, morros com topos convexos
As serras têm formas em morros com vertentes, no topo, convexas e vale côncavo, marcante no Planalto Atlântcio, portanto são formas de morros com topos convexos sendo baixos ou mais altos.
         A formação dos matacões decorre da meteorização do granito, que esse é formado por quartzo, feldspato e biotita. Por ter massa homogênea (tendo, portanto poucas linhas de fraqueza) e quartzo (um material com sílica, logo muita resistência erosiva), a rocha de granito tem uma lenta e difícil meteorização.
         O solo da região é formado pelo intemperismo, principalmente, com a entrada de água por fraturas nas rochas, formadas pela descompressão do peso do solo erodido e das transformações térmicas. Tendo, a água, relação com minerais primários como a biotita (mineral máfico) e o feldspato (mineral básico), iniciasse a meteorização.
  
Foto 3- Nessa foto pode ser vista a meteorização do granito, formando o solo e os matacões (esquerda). Além de poder ver o chorume preto impregnando a parte superior.
O primeiro, tendo uma significante quantidade de ferro, que é oxidado facilmente pela água formando o óxido de ferro. O pesado óxido de ferro é lateralizado. O segundo, em contato com a água forma um mineral secundário, argila, deixando pastoso o solo, retendo água e possibilitando maior metorização. Após o intemperismo químico, é residual, ou seja, sobra no solo daquele local, o óxido de ferro, óxido de alumínio, areia e a argila.
Outro agente químico transformador do solo é o chorume, formado por ácido carbônico proveniente da decomposição de material biótico.
Por fim, como é lenta e difícil a penetração hídrica, a atividade intempérica é realizada pelas laterais, logo, como a distribuição da massa é concentrada, formam rochas esféricas expostas e o solo com um horizonte inicialmente preto, por causa do chorume, a segunda camada avermelhada por causa do ferro, uma terceira camada com solo arenoso grosso e por último a rocha tendendo a esfericidade.

Parada-2
A parada foi na estrada que liga Pirapora do Bom Jesus a Rodovia Castelo Branco, o local era aproximadamente a 6 km de Pirapora. Primeiro vimos a Serra do Voturuma, irmã em formação, do Pico do Jaraguá, tendo base granítica. Os morros mais altos são de granitos, médios de quartzitos e os rebaixados de micaxistos e filitos.
 Depois vimos que as rochas da região eram folhadas, laminosas, com planos de xistosidade, bandada, formadas com micaxistos, uma rocha metamórfica. O brilho, característico dessa rocha, advém da grande quantidade de mica. Essa rocha tem também cristais de quartzo, mais leitoso.
 
Foto 4-Ao fundo está a Serra do Voturuma.                   Foto 5- Micaxisto.
Ainda observamos o horizonte B do solo, parte mais lixiviada e argilosa, mais meteorizada, vendo os fragmentos de quartzo que saíram de veios. Como o quartzo é pouco solúvel fica residualmente nas fases formando linhas de pedra. Contudo, Professor Ab´Saber supunha que era prova de clima quente e seco, sendo essa linha conseqüência de chuvas torrenciais. Também existe, no profundo subsolo, um veio de rocha intrusiva, o gabro ou anfibolito.
Parada-3
Essa parada ocorreu no trevo de São Roque com a Rodovia Castelo Branco. Nós vimos campos de matacões que apareceram, foram expostos, após a atividade antrópica, construção do trevo.
        
Parte-II
Foto 6- Local limite entre O Planalto e Serras (Frente) e a Depressão Periférica (fundo).
         Essa parte do trabalho se refere à Depressão Periférica. Essa porção é mais baixa, 600m em média. Aqui a economia é mais ativa, pastos, silviculturas, citriculturas entre outros. No meio dele tem o morro de Assaraçoiaba, é um domo sustentado por granito, onde tinha exploração de minério de ferro (Ipanema), visto que exista hematita.
      Parada-1
         Essa parada é nas margens da Rodovia Castelo Branco, próximo da divida entre Tatuí e Cesário Lange. Ali vimos um Dique de Diábasio, comuns naquela área da Bacia do Paraná. Por ser rica em ferro e magnésio, ela forma um fértil solo avermelhado, com muito óxido de ferro, argiloso, a famosa terra roxa ou nitossolo.
 Foto 7-Diabásio.
Parada-2
Essa parada é nas margens da Rodovia Castelo Branco, onde podemos ver o Arenito da Formação Botucatu.  Assim, tendo uma camada estratificada na horizontal e as demais na vertical, portanto é uma estratificação cruzada.
Foto 8 – Arenito do grupo Botucatu.
 Essa camada de arenito é formada por grãos finos, proveniente de climas áridos do triássico, nos quais existiram desertos com dunas, ou seja, são depósitos eólicos. Essa formação permanece abaixo de toda Bacia do Paraná e tem extrema capacidade de retenção de água, sendo ele como uma “caixa d´ água” denominada hoje como Aqüífero Guarani.
Em cima do arenito houve os derrames basálticos e são os basaltos que sustentam determinadas áreas altas, após os basaltos tem-se a formação Arenítica de Bauru.
Parte-III
Subimos as Cuestas entramos na Bacia Sedimentar do Paraná.
Parada-1
Subimos as Cuestas de Botucatu com aproximadamente 900m, que é o limite da Bacia Sedimentar do Paraná e logo abaixo, na vista do mirante, observamos a depressão perférica. No fundo vimos também os morros testemunhos, torre de pedra de arenito enriquecido de sílica.
A formação de Botucatu ampara a industria de vidros em Bofete, através da mineração de areia. Vimos à formação de um núcleo urbano em ambiente rural ainda em Botucatu. Existe uma mata secundária protegida em APP. Também estão plantando café nas cuestas, observando o bom clima e solo. Além disso, existem vastas pastagens para gado bovino.
 Foto 9-Arenito do Grupo Bauru
Foto 10-Paisagem visto do Mirante das Cuestas em Pardinho.
Parada-2
Nessa borda tem uma “chapadinha” ( relevo com forma tavular), sustentada por arenitos do grupo Bauru com material ferruginoso (congreções ferruginosos) desenvolvidos no latossolo argiloso. Ele se forma em horizontes de solos em climas tropicais, quando o óxido de ferro se agrupa com grãos de areia.


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