Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da
Universidade de São Paulo
Relatório
do trabalho de campo de Geomorfologia I- São Paulo-Pardinho
Aluno.:Guilherme Henrique de Paula Cardim
Período: Diurno
Prof.:Jurandyr L. S. Ross
Introdução
Nesse
trabalho seguimos o caminho da Rodovia Castelo Branco, entre a Capital de São
Paulo e Pardinho, atravessando as divisões classificadas pelo próprio professor
Jurandyr Ross como Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste (parte I), Depreção
Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná (parte II) e Bacia Sedimentar do
Paraná (parte III).
Assim,
vimos às diferentes características que aprendemos em sala de aula da
morfologia desses três terrenos, o primeiro sendo cristalino, com base de formação
granítica e metamórfica e mais alto que o segundo, o segundo já com arenitos e
rochas ígneas extrusivas e o terceiro mais alto que o segundo, fruto da
atividade epirogenética.
Primeiramente
gostaria que analisássemos alguns mapas:
1
3
4
Mapa
1- Morfoestruturas da América do Sul
Mapa
2- Unidades de Relevo proposta e classificada pelo Professor Jurandyr L. S.
Ross
Mapa
3- Relevo no Estado de São Paulo
Mapa
4- Mapa da Rodovia Castelo Branco
Aqui
sintetizamos o pensamento dos mapas já vistos, com a seguinte analise do trecho
percorrido durante a viagem:
Observando
o mapa 4 e 3, podemos concluir que a Rodovia Castelo Branco, ao percorrer para
o Oeste Paulista, passa pelo Planalto Atlântico, depressão Periférica e
Planalto Ocidental. Analisando o mapa 3 e 1, podemos nos certificar que a
proposta de divisão do relevo para o nosso Professor, foi bem baseada na visão
das Estruturas e trabalhada conjunto a isso, os planaltos, depressões e planícies.
Tais fundamentos para o trabalho taxonômico realizado pelo Professor Jurandyr,
foram extremamente provados nessa experiência em campo.
Também
analisamos nesse trabalho, o objeto de estudo, a forma e o conteúdo da
superfície terrestre, nos baseando desde em princípios gerais defendidos por W.
Penck, em trabalhos empíricos e também generalistas de Davis, entramos nas
sistemáticas de autores como L. King e Aziz Ab´Saber.
Logo,
tomaremos emprestado a classificação do nosso Professor Jurandyr para melhor
explicar a introdução desse retório:
Os Planaltos e Serras do Atlântico Leste e
Sudeste é uma unidade de relevo que representa o Cinturão Orogenético do
Atlântico, ou seja, é uma área de dobramentos antigos, do pré-cambriano,
portanto, antigo o bastante para ter sido fortemente erodido e após tais
eventos de meteorização sofreu no pós-cretáceo o soerguimento.
Nessa
parte, denominada agora de Planalto Atlantico, temos o relevo baseado por
rochas ígneas (principalmente intrusivas) e metamórficas. Assim, os mais baixos
por filitos e micaxistos, médios gnaises e migmatitos e os mais altos por
quartzitos e granito.
As
superfícies de erosão desse local se classificam segundo De Martone como as de
Campos e Cristas médias (corresponde a Superfície de Cimeira para Ab´Saber), ou
seja, estão relacionadas, respectivamente, com o ciclos do cretáceo e terciário inferior.
A
Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná que segundo Azis
Ab´Saber é uma depressão subseqüente, foi esculpida na Bacia Sedimentar do
Paraná, em sedimentos do paleozóico.
Apresenta modelados diversos em função da
influência da tectônica, variação litológica e dos graus de atuação dos
processos erosivos dos mais variados ambientes climáticos. Esse local sofreu
influência da reativação do Wealdeviano a partir do cretáceo, além do já citado
soerguimento do terciário.
Subindo
o Front das Cuestas de Botucatu,
sustentada por rochas máficas, encontramos os Planaltos e Chapadas da Bacia do
Paraná, nesse caso a porção denominada Planalto Ocidental Paulista, que se
situa em uma Bacia Sedimentar soerguida no pós-cretáceo.
Englobam
terrenos sedimentares desde o Denovianiano até o Cretáceo, como também sofreu
efusão magmática no Mesozóico, tendo uma camada de rochas basálticas máficas e
um solo avermelhado, famoso solo de “terra roxa”. A superfície de erosão na
classificação de De Martone é a Pré-Permiana.
Ficam
agradecimentos pelo aprendizado, ao professo Jurandyr Luciano Sanches Ross e
aos seus monitores.
Parte-I
Essa
primeira parte do trabalho se refere à porção do Planalto e Serras do Atlântico
Leste e Sudeste. Porção com altitude de 800m em média, com terreno cristalino e forma de morros.
Parada
– 1
Nessa parada, próxima a Araçariguama,
nas margens da Rodovia Castelo Branco, ainda no que a classificação de Jurandyr
Ross concerne a Planaltos e Serras do Atlântico Leste Sudeste , inicialmente
visualizamos os campos de matacões, formados por rochas expostas esféricas de
granito, tendo serras formadas por granitos como a Serra do Itaqui.
Foto 1- Matacão
Foto 2-A Serra, morros com topos convexos
As
serras têm formas em morros com vertentes, no topo, convexas e vale côncavo,
marcante no Planalto Atlântcio, portanto são formas de morros com topos
convexos sendo baixos ou mais altos.
A
formação dos matacões decorre da meteorização do granito, que esse é formado
por quartzo, feldspato e biotita. Por ter massa homogênea (tendo, portanto
poucas linhas de fraqueza) e quartzo (um material com sílica, logo muita
resistência erosiva), a rocha de granito tem uma lenta e difícil meteorização.
O solo da região é formado pelo
intemperismo, principalmente, com a entrada de água por fraturas nas rochas,
formadas pela descompressão do peso do solo erodido e das transformações
térmicas. Tendo, a água, relação com minerais primários como a biotita (mineral
máfico) e o feldspato (mineral básico), iniciasse a meteorização.
Foto 3- Nessa foto pode ser vista a meteorização do
granito, formando o solo e os matacões (esquerda). Além de poder ver o chorume
preto impregnando a parte superior.
O
primeiro, tendo uma significante quantidade de ferro, que é oxidado facilmente pela
água formando o óxido de ferro. O pesado óxido de ferro é lateralizado. O
segundo, em contato com a água forma um mineral secundário, argila, deixando
pastoso o solo, retendo água e possibilitando maior metorização. Após o
intemperismo químico, é residual, ou seja, sobra no solo daquele local, o óxido
de ferro, óxido de alumínio, areia e a argila.
Outro
agente químico transformador do solo é o chorume, formado por ácido carbônico
proveniente da decomposição de material biótico.
Por
fim, como é lenta e difícil a penetração hídrica, a atividade intempérica é
realizada pelas laterais, logo, como a distribuição da massa é concentrada,
formam rochas esféricas expostas e o solo com um horizonte inicialmente preto,
por causa do chorume, a segunda camada avermelhada por causa do ferro, uma
terceira camada com solo arenoso grosso e por último a rocha tendendo a
esfericidade.
Parada-2
A
parada foi na estrada que liga Pirapora do Bom Jesus a Rodovia Castelo Branco,
o local era aproximadamente a 6 km de Pirapora. Primeiro vimos a Serra do
Voturuma, irmã em formação, do Pico do Jaraguá, tendo base granítica. Os morros
mais altos são de granitos, médios de quartzitos e os rebaixados de micaxistos
e filitos.
Depois vimos que as rochas da região eram
folhadas, laminosas, com planos de xistosidade, bandada, formadas com
micaxistos, uma rocha metamórfica. O brilho, característico dessa rocha, advém
da grande quantidade de mica. Essa rocha tem também cristais de quartzo, mais
leitoso.
Foto 4-Ao fundo está a
Serra do Voturuma. Foto
5- Micaxisto.
Ainda
observamos o horizonte B do solo, parte mais lixiviada e argilosa, mais
meteorizada, vendo os fragmentos de quartzo que saíram de veios. Como o quartzo
é pouco solúvel fica residualmente nas fases formando linhas de pedra. Contudo,
Professor Ab´Saber supunha que era prova de clima quente e seco, sendo essa
linha conseqüência de chuvas torrenciais. Também existe, no profundo subsolo,
um veio de rocha intrusiva, o gabro ou anfibolito.
Parada-3
Essa parada ocorreu no
trevo de São Roque com a Rodovia Castelo Branco. Nós vimos campos de matacões
que apareceram, foram expostos, após a atividade antrópica, construção do
trevo.
Parte-II
Foto 6- Local limite entre
O Planalto e Serras (Frente) e a Depressão Periférica (fundo).
Essa parte do trabalho se refere à
Depressão Periférica. Essa porção é mais baixa, 600m em média. Aqui a economia
é mais ativa, pastos, silviculturas, citriculturas entre outros. No meio dele
tem o morro de Assaraçoiaba, é um domo sustentado por granito, onde tinha
exploração de minério de ferro (Ipanema), visto que exista hematita.
Parada-1
Essa parada é nas margens da Rodovia
Castelo Branco, próximo da divida entre Tatuí e Cesário Lange. Ali vimos um Dique
de Diábasio, comuns naquela área da Bacia do Paraná. Por ser rica em ferro e
magnésio, ela forma um fértil solo avermelhado, com muito óxido de ferro,
argiloso, a famosa terra roxa ou nitossolo.
Parada-2
Essa
parada é nas margens da Rodovia Castelo Branco, onde podemos ver o Arenito da
Formação Botucatu. Assim, tendo uma
camada estratificada na horizontal e as demais na vertical, portanto é uma
estratificação cruzada.
Foto 8 – Arenito do grupo
Botucatu.
Essa camada de arenito é formada por grãos
finos, proveniente de climas áridos do triássico, nos quais existiram desertos
com dunas, ou seja, são depósitos eólicos. Essa formação permanece abaixo de
toda Bacia do Paraná e tem extrema capacidade de retenção de água, sendo ele
como uma “caixa d´ água” denominada hoje como Aqüífero Guarani.
Em
cima do arenito houve os derrames basálticos e são os basaltos que sustentam
determinadas áreas altas, após os basaltos tem-se a formação Arenítica de
Bauru.
Parte-III
Subimos
as Cuestas entramos na Bacia Sedimentar do Paraná.
Parada-1
Subimos
as Cuestas de Botucatu com aproximadamente 900m, que é o limite da Bacia
Sedimentar do Paraná e logo abaixo, na vista do mirante, observamos a depressão
perférica. No fundo vimos também os morros testemunhos, torre de pedra de
arenito enriquecido de sílica.
A
formação de Botucatu ampara a industria de vidros em Bofete, através da
mineração de areia. Vimos à formação de um núcleo urbano em ambiente rural
ainda em Botucatu. Existe uma mata secundária protegida em APP. Também estão
plantando café nas cuestas, observando o bom clima e solo. Além disso, existem
vastas pastagens para gado bovino.
Foto 10-Paisagem visto do Mirante das Cuestas em
Pardinho.
Parada-2
Nessa
borda tem uma “chapadinha” ( relevo com forma tavular), sustentada por arenitos
do grupo Bauru com material ferruginoso (congreções ferruginosos) desenvolvidos
no latossolo argiloso. Ele se forma em horizontes de solos em climas tropicais,
quando o óxido de ferro se agrupa com grãos de areia.
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